Quando há um senso comum dizendo que quem sempre paga a conta é o homem, o que se lê é a cultura aristocrática em ação definindo o papel social pelos modos e hábitos. Por que ele é quem paga a conta? O papel do homem é ter o controle. Enquanto o papel aristocrático da figura feminina é estar bonita e disponível. Um homem que não precisa ficar contando dinheiro, não tem restrições em prover desde um jantar, até qualquer coisa que apraz.
Da mesma forma , o que vai cobrar é que a pessoa esteja disponível para os seus caprichos. E uma pessoa que diz o que ela deve comer, também dirá o que deve vestir e o que almejar na vida.
A mulher que deseja se aristocrata, tem muitas limitações indenitárias. Porque é preciso anular os próprios desejos em troca de favores. Seguindo esse caminho as pessoas não se tornam admiradas e quistas, pelo que são, mas pelo que possuem , além de pela beleza e o encanto que podem proporcionar.
Há quem entenda isso como privilégio, um meio de conquistar facilmente conforto e riquezas ou pelo menos mantê-las. Esse é um estilo de vida que define como as pessoas se comportam pra ter o que querem a partir desse ponto. Você consegue enxergar as ambições desse homem e dessa mulher? O que eles fazem pra conseguir aquilo que querem? As pessoas atraem o que transmitem pelo que buscam : existem homens que querem manter essa hierarquia em busca da manutenção do seu status. E mulheres que se contentam em ser hierarquizadas. O que fica claro é que essa é uma posição hierárquica que não define igualdade entre as partes.
Mas o processo de emancipação feminina não findou essa estrutura. As relações que antes eram de conjugues passaram a ser exigências trabalhistas. Onde a beleza e o encanto definem cargos e salários. Essa jornada por autossuficiência , não começou por modificar essa ordem, mas se aproveitar dela. Na primeira fase do feminismo , a definição de liberdade ,descritas por livros ,era sobre a vida em cabarés. A liberdade de estar com quem quiser, ao invés de se dedicar a um só casamento arranjado. E podendo estabelecer uma livre relação de troca, onde a mulher estava no comando. Por ter algo bonito e encantador para oferecer. Nesse ambiente, rejeitado pelos “bons costumes”, que não era nenhum paraíso como as loucuras romantizadas nos livros, de pobreza à golpes , aqui a mulheres desenvolveram artimanhas pra defender sua ‘independência’ , reduzindo a autonomia a um mero senso se sobrevivência. Atribuindo a liberdade ao corpo, como mero instrumento de exercer poder.
Mas o feminismo amadureceu e adquiriu outras fontes. Como em sua 3 fase, onde essa relação de hierarquia, não é só reconhecida como patriarcal mas é escravocrata. Ou seja, além da autonomia financeira, existe a autonomia do corpo e a autonomia da vontade. E uma mulher com independência escolhe pra onde vai, com quem vai e o que vai querer , sem a obrigação de agradar a boa vontade masculina. Esses valores conflitantes desafiam a manutenção do status masculino. E pra conseguir exercer sua “ superioridade natural”, começam a se comportar diferente, em uma sociedade que está organizada a acolher as suas vontades.
Da mesma forma que o mercado se dedica mais a beleza e ao encanto da delas do que dos homens. Para o homem é mais fácil competir com a beleza e o encanto para um cargo de poder, do que com qualidades humanas de inteligência e competência. Basta empurrar um estereótipo de conquistas baseado em artimanhas e não em talento. Por outro lado, um homem que tem mais recursos financeiros escolhe mais com quem se relaciona, do que aquele que não tem. A indústria alimenta o sonho de bancar a mulher, como forma de conquista. Como forma de ter a mulher que quiser aos seus pés.
Então o que acontece quando esse desejo de harém desmorona? Ele se apressa a empurra a mulher para o lugar que ‘ merece’, tendo todos os recursos da sociedade a disposição pra que possam pagar por isso. A experiência mostra que começa com o discurso. Primeiro geral, até o específico. A supersexualização como papel central da mulher, se desdobrando em insulto. A anulação do seu poder de decisão , atribuir suas conquistas a terceiros ou roubá-las pra si , com um sentimento de merecimento.
Como fazer então, para se diferenciar de tudo isso? Basta prestar atenção na motivação de cada ato, individualmente, pra saber se é um desejo masculino, um desejo feminino ou uma convenção social sendo preservada. E então você poderá quebrar os padrões, administrando os seus.
Voltando a prática do restaurante, manter a etiqueta é uma questão de educação. Porque classe e elegância, não é só bonito e encantador. É também inteligente. Independente de ser uma relação amorosa, ou não, quem convida é quem paga. Da mesma forma , escolhe o lugar e a hora. Mas se o convite foi feito, qual o objetivo do jantar? Intensificar relações de amizades ? Boa vontade ? O quanto o convidado pode ter certeza que pode levantar da mesa e voltar pra casa, sem o débito de entregar alguma coisa em troca? Quando, como e onde definem mais se aquele recurso está sendo usado pra criar laços ou pra comprá-las, do que o simples desejo de impressionar e ser impressionado.
Existe sempre a possibilidades de quebrar padrões e brincar com o assombro das pessoas ao perceber quem é que está no controle da situação. Mas pra encontrar essas pessoas, seria preciso mudar o modo com que atraem umas as outras e pelo que se interessam. Acima de tudo cuidar dos próprios modos e costumes, pra não se deixar ser definido por nenhum desses atos.